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"Eu sou Caruda" - O fantástico mundo ilustrado de Larovski

De gênero em construção e aprendizagem, um ser humano chamado Larovski compartilha com o mundo uma realidade paralela inspirada na fauna e flora brasileira, onde todos são iguais e mágicos. Com apenas 19 anos, a pessoa estudante de Design do Senac Goiânia encanta a todos com sua arte e atualmente conquista espaço no mercado de trabalho através de freelancers de ilustração e design.


Aficionada por desenhos, sempre foi uma criança muito hiperativa e, como uma das formas de controlar sua agitação, seus pais sempre lhe incentivaram o contato com a arte da pintura e da dança sendo assim, desde cedo, inserida no meio artístico da capital de Goiás. Durante sua adolescência, começou a se perceber como diferente das amigas do colégio: enquanto todas elas desenvolviam interesse por pessoas do sexo oposto, Lara não se controlava para se apaixonar apenas por uma opção da diversidade humana. Em casa, nascida em berço evangélico, se sentia na obrigação de cumprir a cartilha da menina que cresce heterossexual, se apaixona, casa cedo e cuida dos filhos.


A partir desse conflito compartilhado por grande parte dos LGBTQIA+s, começou a buscar uma forma de escapar da pressão que sofria dentro do meio social e familiar. Durante as aulas, depreendia seu tempo desenhando no caderno que deveria ser para estudo das matérias colegiais. Foi aí que um amigo notou seu talento e propôs ajudá-la a obter dinheiro com sua arte. Marcio propôs um negócio de adesivos onde ele se preocupava com a finalização da arte e envio para gráficas enquanto a artista fazia seus desenhos como de costume. O empreendimento foi um sucesso no colégio com cada adesivo sendo vendido a R$ 1,00 ou R$1,50. Essa primeira experiência fez Larovski perceber que, através de sua arte, ela poderia ser, de alguma forma, aceita pela sociedade.


Mais tarde, como todo adolescente, a pressão familiar pelo vestibular fez escolher o curso de arquitetura, pois, mesmo que incentivada na infância, a arte não era aceita pela família como uma forma esperada de sucesso. Mesmo frequentando a faculdade e percebendo que Arquitetura não era tão ruim, Larovski dizia que aquilo não era para sua vida, pois desenhar projetos de prédios, casas e jardins, não trazia ao seu coração um “quentinho na alma”. Apesar de trazer uma segurança dentro de casa, não parecia ser o lugar aonde se pertencia. Foi então que decidiu trocar de curso e universidade.


Com o tempo, sua arte foi amadurecendo, seus processos de estudos se baseavam primordialmente em plantinhas e no Reino Fungi, que, para elu, era uma coisa louca, e sua inspiração vinha de diversos movimentos artísticos brasileiros e norte-americanos, como a Tropicália, o Movimento Hippie e o Funk de Discoteca dos anos 70 e 80. Chegou ao lugar que hoje ocupa, com uma identidade muito marcante e colorida, seus traços fazem seus observadores viajarem para um outro lugar e imaginar possibilidades de pessoas e seres que não vemos no cotidiano.


Perceber o potencial que esse universo mágico tem para o escape dos problemas e exigências, que possamos receber durante o cotidiano, é uma questão de contemplação a sua arte, que não se limita a ilustração e colagem. Através do Up Cycling, Larovski tem investido em trazer um outro significado ao lixo reciclável para intervenções em casas de clientes e espaços compartilhados. As cores, os detalhes, os traços ordenadamente naturais são levados ao que antes iria ser jogado no lixo para gerar portais para esse mundo a ser descoberto cheio de liberdade, amor e cores.


Larovski compartilha a dificuldade que artistas independentes e iniciativas que valorizem a arte LGBT enfrentam no Brasil atual, com poucas políticas públicas para a cultura, inclusive com a absorvição do Ministério da Cultura pelo da Educação, e pouco interesse da população geral que se vê consumindo produtos da indústria cultural dominada. Por isso sonha em começar um centro de artes num modelo de co-working com outros artistas e empresas que precisam de apoio.



Segundo elu, ter tido todos os privilégios que uma pessoa branca, filha de funcionário público, sem preocupação com a falta de colocar o que jantar na mesa todos os dias, despertou o desejo de ver uma realidade mais igualitária através da arte, além de motivar-lhe a buscar alcançar seus objetivos financeiros para mudar o contexto social onde estamos inseridos, cheios de macro-estruturas opressoras para diversos segmentos do povo. Elu compartilha o desejo de ter condições para doar quantias significativas para iniciativas que tenham o mesmo objetivo de transformação. Para Larovski, a vida é conhecimento e, para vivê-la, não precisamos ceder a competição capitalista, podemos nos ajudar mutualmente e construir um futuro melhor para as próximas gerações.


Larovski pode ser encontrada no Twitter e no Instagram. Elu deixou uma lista de artistas para que possamos conhecer também:

  • @meioperfeito — Bê Perini, designer e artista visual de goiânia residindo em SP, uma das minhas primeiras referências e inspiraçõesartísticas aqui em goiânia.

  • @kamicoelh0 — Kami Coelho, artista e tatuadora de curitiba que admiro muito com traços abstratos e bem coloridos, grande referência artística pra mim.

  • @anamar_arte — Ana Maranhão, artista goianiense com uma técnica forte em aquarela.

  • @franxyk — XYK, conheci o trabalho dela em goiânia mas atualmente reside em fortaleza.

  • @gabloma Artista goianiense, grande referencia na xilogravura.

  • @_enleart Artista (acho que de juiz de fora) conheci pela internet e sou apaixonada pela identidade visual!

  • @parabolicaa designer gráfica de Goiânia e também artista visual.

  • @alpspoked tatuadora vegana e artista visual, diretora de arte também em Goiânia.

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Direitos Humanos Disque 100

Central de Atendimento à Mulher Disque 180