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Estou infectado pelo Tiktok

Texto por Ariell Fonseca.


Até hoje me lembro do primeiro Tiktok que assisti: Quem não carrega na memória do icônico áudio “God’s timming is always right”?

É óbvio que, em tempos de corona vírus, a gente busque programas caseiros para fazer. O Big Brother Brasil 2020 bateu, no paredão que eliminou Pryor, todos os recordes das edições anteriores com mais de 1 bilhão de votos, aplicativos de cursos online promoveram promoções para que pessoas ocupassem seu tempo desenvolvendo conhecimento, o YouTube supera audiência, as lives no Instagram povoam nossos feeds e shows caseiros de artistas famosos se tornam o assunto na timeline do nosso twitter. Mas um fenômeno eu pude observar nas últimas semanas: Eu vejo Tiktokers. Com que frequência?! O tempo todo.


No começo, me limitava a rir dos vídeos curtos espalhados pelas minhas redes sociais: todos os dias era um desafio novo, uma dublagem de algum programa do Paulo Gustavo, algum áudio distorcido com alguém imitando uma criança acordando a mãe meia noite do domingo para fazer trabalho, lipsync de muitas pocs homenageando hits do pop brasileiro e internacional…


Até hoje me lembro do primeiro Tiktok que assisti: Quem não carrega na memória do icônico áudio “God’s timming is always right” (“O tempo de Deus está sempre certo” em tradução livre)? O vídeo original foi feito por um LGBT negro norte americano e relata um caso de racismo vivenciado seu espaço de trabalho. Apesar de trazer uma denúncia grave, a forma como o Tiktok permite a aplicação de filtros de imagem e voz, semelhante ao Snapchat e stories do Instagram, traz humor ao desfecho da história com um final “justo aos olhos do Pai”.





Depois desse vídeo, comecei a me interessar um pouco mais pela plataforma dos microvloggers. Mas ainda relutante em aderir a mais uma modinha, esperei algumas semanas. Foi quando comecei a ver a Ludmilla, uma das minhas cantoras favoritas, se juntando à tendência. Inicialmente assisti desafio que ela repostou no twitter, depois outros videos com sua esposa e amigas. Descobri que funkeira já possuía conta na rede há algum tempo para divulgação de novos hits como parte da sua estratégia de Marketing. Mas agora ela usa a rede de uma forma menos planejada e mais pessoal, se divertindo com sua audiência e participando do que está em alta.





Entre as funcionalidades do aplicativo que mais gosto, existe a possibilidade de exportar qualquer vídeo para o celular, status do whatsapp e instagram sem qualquer aplicativo extra. Existem mensagens diretas com adesivos animados e a comunidade é muito ativa, tanto nos likes quanto no seguir de volta.


Além das celebridades e figurinhas clássicas do youtube e da TV, como Winderson Nunes, Maísa, Luccas Lucco entre outros. A rede conta com um programa de indicação e fidelização que promete ganhos de até R$ 300,00 por mês. Eu confesso que este foi o melhor argumento que recebi para baixar o aplicativo. Mas não são os 10 reais que já ganhei que me prendem mais de meia hora no feed.


A rede, por suas próprias limitações, ainda não está saturada de qualquer coisa que não seja entretenimento puro e simples.

É muito comum me ver rindo sozinho das coisas sugeridas na aba “Para Você”. São piadas, dancinhas sem jeito, acrobacias e casais passando momentos de felicidade e vergonha alheia. Claro que nem tudo é flores, a rede tem seu nível de toxidade, e alguns usuários não hesitam em fazer vídeos de cunho machista, racista e homofóbico. Mas, apesar de tudo, não é uma Chernobil: O algoritmo funciona e permite que, por semelhança de conteúdo e público, outros produtores de conteúdo apareçam para você. Ainda não vi nenhum pornô pulando na minha timeline sem aviso, mas também não procurei.


Se eu fosse tentar explicar porque o Tiktok está fazendo tanto sucesso, eu diria que é porque nesses tempos é bom mudar de assunto.


Ariell Fonseca

Publicitário de formação, jornalista por força de vontade. Estimulado por invenções tecnológicas, jogos, cultura pop e twitter. Criado na Baixada, escreve sobre personalidades LGBTQI+ periféricas que merecem atenção. Futuro historiador e sociólogo.


Twitter @ariellreal

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